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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Um Bocadinho do meu Passado

Meus queridos amigos, ginastas de infância e pré-adolescência, este "post" é para vocês. Ontem passei na Rua António Correia, na Amadora, bem perto da casa onde morei tantos anos, e nem queria acreditar no que vi.

Estão a demolir um grande bloco de prédios velhos, provavelmente para dar lugar a um pato-bravismo urbanístico qualquer. Só que um dos prédios que foi abaixo foi precisamente... a velha sede da Associação Académica da Amadora.

Foi ali que, com 3 anos, entrei pela primeira vez no mundo da ginástica, ao princípio num sacrifício que se repetia todos os sábados, comigo agarrado às saias da minha mãe. Nem amarrado lá ficava. Depois fui gostando, fiz os primeiros amigos, tudo sob a batuta do prof. Neves (o que será feito dele?).

Mais tarde, com a inauguração do tão esperado pavilhão, na Reboleira, passámos a treinar aí, com melhores condições (acho que a foto aqui ao lado, a do meu 1º sarau, é dessa inauguração). Mas a velha sede nunca deixou de funcionar, onde estava a secretaria, o bar, o judo, o ténis de mesa (que saudades), os duelos de xadrez...

Nada do meu percurso posterior no Sporting e no Ateneu teria sido possível sem aqueles sábados na sede da Académica. Tudo muda, tudo evolui, eu sei. Mas ontem foi um bocadinho do meu (nosso) passado que foi abaixo com aquele bulldozer.



(Só mais uma achega: juntamente com a sede da AAA, foi demolida a "Dália", a velhinha cervejaria onde os meus pais se conheceram há quase 50 anos. Desculpem lá, mas hoje estou assim. Fiquem bem.)


sábado, 30 de janeiro de 2010

Maldita Cortina

De volta às histórias da ginástica, se há imagens que me fazem ir às lágrimas, uma delas é a da cortina do São Luiz. Eu explico:

O sarau "Luz, Som e Movimento", que o Sporting organizava habitualmente no teatro São Luiz, tinha características muito especiais; não sendo um grande espaço destinado à prática desportiva, tinha no entanto enormes potencialidades no que diz respeito a efeitos cénicos, jogos de luz e um som de qualidade superior.

Mas tinha também um problema: os ginastas estavam demasiado perto do público, e qualquer falha era imediatamente detectada.

Num dos espectáculos, a classe apresentou um esquema que terminava com a saída dos ginastas em mortal ou flic à frente, e desaparecia pelas laterais do palco.

O João Pedro não tinha o seu flic bem dominado (volta e meia caía de rabo), e portanto o Zezinho, depois de executar o seu salto, pôs-lhe uma mão discretamente nas costas, e a coisa passou.

Havia outros (acho que eu era um deles) que não dominavam o salto de todo, e fizeram uma chamada à campeão, para desaparecer do palco sem fazer nada. Sempre dava algum estilo.

O pior foi o Joaquim Alfredo, que fez um flic mal calculado, e desiquilibrou-se para trás, já fora do campo de visão. Tudo teria passado despercebido, não fosse o seu instinto, que o levou a agarrar-se à cortina de fundo do palco, o que fez com que o movimento ondulatório do pano se transmitisse ao longo de todo o fundo de cena. Os ginastas desapareceram mas a cortina lá ficou a abanar.

É caso para dizer que a bandeira não podia ter sido maior...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ideias

Cheguei agora de mais um treino. Estamos a preparar o novo esquema. O segredo de justiça impede-me de revelar o que quer que seja, mas ideias, há-as aos montes! He, he, he.

(Estou a falar em código? Esperem pelo sarau de ginástica do Sporting, lá para Junho...)

sábado, 23 de janeiro de 2010

Vaidades

Agora vou pôr o chapéu do pai babado. Cheguei há pouco do Cadaval, onde o meu filho teve hoje a sua primeira participação numa competição de trampolins, o Torneio Joseph Sammer. O Professor Sammer, já desaparecido, foi uma referência na ginástica, que tive oportunidade de conhecer nos meus tempos de "artista".

Desculpem lá, mas um gajo não é de ferro, e vê-lo a dar os primeiros passos naquele mundo que me trouxe tantas e tão boas recordações, mexe comigo, o que é que querem? É que mexe mesmo!

Isto é que interessa. Quero lá saber do caso do Sá Pinto!




terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Todo Partido

Recomeçaram os treinos. Após tantos anos longe destas andanças, finalmente decidimos retomar a nossa classe de ginástica, rebaptizada Classe Especial Homens Anos 80.

Juntámo-nos no verão passado, para uma brincadeira, mas agora vamos tentar levar a coisa a sério. Será que os nossos compromissos profissionais e familiares nos deixam? Espero que sim.

Passado todo este tempo, tudo parece na mesma com esta malta. As manias de cada um, as mesmas piadas de sempre, as cenas de balneário, só uma coisa é diferente: a IDADE. E faz cá uma diferença!

Hoje, por exemplo, fiz um bom treino, pois consegui fazer... uma rodada! Como é possível chegar-se a este ponto? Mas a verdade é que a última vez que fiz uma, foi para aí em 1991. Aaaah pois...

Bem, e agora vou-me esticar. Estou todo partido, doem-me as costas, e ainda não sei como é que amanhã me vou conseguir levantar. A PDI é lixada.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Uma Obra Inacabada

Nos idos de 82, numa das nossas habituais saídas da ginástica, fomos fazer uma "dupla" a Estarreja e Murtosa. No caso desta última, o clube local inaugurava o seu pavilhão gimnodesportivo, e decidiu comemorar com um sarau, para o qual nos convidou.


O azar foi que, aparentemente, as obras se atrasaram, e portanto não estavam concluídas no dia marcado (eu digo "aparentemente" porque não quero crer que aquilo fosse pensado para inaugurar assim). No entanto, os seus dirigentes decidiram não adiar o evento.

A verdade é que quando chegámos, percebemos que algo de estranho se passava. O dia estava chuvoso e frio, e enquanto o autocarro estacionava, olhávamos incrédulos pelas janelas: o pavilhão pura e simplesmente não tinha uma parede!


Conseguem imaginar um telhado apoiado em três paredes ainda em reboco, cheio de gente pronta para assistir a um espectáculo? Eu já, porque fiz ginástica lá dentro.


Tudo era cimento, nada estava estucado nem pintado, e a sensação era de que no fim do sarau iriam saltar de entre a assistência os operários prontos a recomeçar os trabalhos interrompidos por aqueles "gajos" do Sporting.


Foi de facto uma saída diferente, a inauguração lá se fez, e ainda hoje, quando a malta se reúne, fala do "pavilhão sem parede".


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Os Jantares do Ateneu

Isto da ginástica é muito giro, mas é um desporto de tesos. Quando havia um convite para ir ao estrangeiro, os clubes não tinham possibilidade de suportar as despesas, e os ginastas também não. Lá nos safávamos com uns apoios, uns patrocínios e, claro, os pais. O resto vinha de cabazes de Natal, venda de autocolantes e da nossa imaginação.

Nos tempos da classe Moura e Sá, resolvemos organizar um Jantar de Gala. Contratámos o catering, concebemos o espectáculo e decorámos o velho pátio do Ateneu o melhor que soubemos.
Na noite aprazada, lá estavam a família e os amigos a entrar numa sala toda requintada, com centros de mesa e velas, e a tomar os seus lugares nas mesas à volta do palco (mistério...).
Eramos nós quem servia às mesas, e fardados a rigor: calça preta, camisa branca, papillon, avental e chapéu de palhinha. Apesar de mais nervosos do que no primeiro sarau, cada prato (entrada, prato principal, sobremesa, etc.) era servido com a nossa habitual "cagança": aparecíamos de rompante na sala, alinhados, mão direita erguendo a travessa e esquerda atrás das costas, ao som das músicas dos nossos esquemas. E a verdade é que a coisa até funcionava: a malta batia palmas, e achava tanta piada que nem percebia o molho que volta e meia entornávamos nas toalhas!


Mas o melhor era o espectáculo musical: uma excelente interpretação do festival da OTITE e seus bailarinos (o enorme Valadares a dançar lá atrás, meu Deus!), e o dueto romântico da Monserrat Caballé com o Freddy Mercury.


O Freddy era interpretado por mim, de smoking e gel no cabelo, agarrado ao microfone com um ar absolutamente apaixonado, mas a Monserrat, haaa..., a Monserrat era o Zezinho, com um vestido até aos pés e uma peitaça tão grande que quase caía para a frente. E a verdade é que por várias vezes pisou o forro e a tragédia esteve para acontecer. Aquilo era uma explosão de aplausos, quando gritávamos BARCELONAAAA!






Pagava para ter uma foto desse momento. Se alguém fizer a fineza de ma enviar, ainda a coloco aqui.

(O que um gajo fazia para arranjar uns trocos...)

sábado, 14 de novembro de 2009

Ussssshiiiii! Urinamichuuuuu!


Este era verdadeiramente um grito de guerra, a nossa saudação antes da entrada dos “bastões” no praticável.

Estou a referir-me à fase mais importante da minha juventude (e a de muitos outros também), que foi a passagem pela ginástica. Primeiro na Académica da Amadora, depois no Sporting, e finalmente no Ateneu Comercial de Lisboa.

Mas foi o Sporting que marcou, definitivamente. O desporto, a camaradagem, as “miúdas”, os copos, as festas, os saraus, as deslocações ao estrangeiro, tudo era novidade. E naquela década fantástica que foi a dos anos 80.

A classe era a “Especial Homens”, e numa época em que a ginástica de demonstração de alto nível era monopolizada por 3 ou 4 clubes, tínhamos honras de fecho de saraus em qualquer festival para que fossemos convidados (e eram muitos). Hoje, o panorama gímnico está bem mais “democratizado”, e muitos são os clubes e as associações pelo país fora com excelente trabalho desenvolvido, alguns dos quais cujos pavilhões fomos inaugurar. Mas na altura, sentíamo-nos os maiores, e parecia, de facto, que o céu era o limite!


Tem graça verificar como se formaram aí amizades, casamentos e opções profissionais que perduraram até aos dias de hoje. Muitos dos meus amigos mais chegados vêm desse tempo, e as suas mulheres também. Era de facto (e ainda é) muito mais do que apenas ginástica.


Sobre este tema, muito há para escrever. Quase que se justificava um blogue só para ele. Por isso, muitas histórias vão saltar em breve. E que histórias, meus amigos, e que histórias…